Força e delicadeza caminham juntas

Não é de hoje que a sociedade discute a diferença entre homens e mulheres. O tema vem sendo pauta com mais frequência a cada espaço que a mulher conquista, exercendo funções que são ditas masculinas. Andreza Amorim Moraes, Joici Mari Meschke Muraro, Patrícia Meurer e Silvana Zarrer Reinert dos Santos têm algo em comum. Elas são mulheres de força e sensibilidade, que passaram por cima desses paradigmas e escolheram a segurança pública como profissão.

Andreza Amorim Moraes (27) doou cinco anos de sua vida para o voluntariado no Corpo de Bombeiros. Até que decidiu que essa seria a profissão dela e passou no concurso. Foram oito meses na academia para se tornar soldado e Brusque conta com seu trabalho há quatro meses. “A nossa é uma profissão muito interessante pelo fato de a gente conseguir ver como as pessoas vivem. E você passa a dar valor à vida. O negativo é que a gente vê muita tragédia. Mas com o tempo a gente vai conseguindo separar”, enfatiza ela.

Joici Mari Meschke Muraro (31) também é soldado. Só que da Polícia Militar. Há onze anos ela faz parte do quadro. Ao contrário de Andreza, Joici prestou o concurso por acaso, devido à influência de outras pessoas. Mas tornou isso como profissão e se garante realizada. “Não foi uma coisa planejada. Gosto bastante do que faço, de ajudar as pessoas. Acho muito importante a ajuda que a Polícia Militar dá à comunidade. Tanto em orientação, quanto em auxílio. Essa é a melhor parte”.

Patrícia Meurer (25) é a única agente do sexo feminino da Guarda de Trânsito de Brusque (GTB), um órgão da segurança pública que está há instituído pouco tempo na cidade. Quando soube das vagas, ela viu ali a oportunidade de trabalhar em uma dessas corporações que sempre admirou. “Sempre gostei da ordem, do respeito às coisas. Sempre me interessei por essas corporações e foi isso acho que me levou a escolher essa profissão. Isso eu levo também para minha vida e é um ponto positivo”, conta

A história de Silvana Zarrer Reinert dos Santos (47) é parecida com a de Joici. Entrou, por acaso, na Polícia Civil, há 26 anos. Soube da vaga de estagiária, pouco depois prestou concurso para escrevente policial. Há onze anos fez um concurso e está no cargo de escrivã até hoje. “Gosto demais da minha função. Gosto de estar com as pessoas, de saber das suas histórias. Nós somos meio psicólogas, porque a gente conversa com as pessoas, entende seus problemas e tem que dar espaço para que ela nos fale.”.

Todas elas concordam em um ponto: homens e mulheres têm diferenças, mas isso é um fator que se resume ao biológico. Mas de nada isso interfere na vida profissional. Se os homens são fisicamente mais fortes, as mulheres podem ter um jeito diferenciado de lidar com as situações. Para elas, essas diferenças não se destacam no dia a dia e os colegas soldados as tratam de igual para igual.

“A gente é muito bem tratada, como qualquer outro membro da guarnição. Somos, com certeza, mais fracas (fisicamente) que um homem. Mas nem tudo é força. Às vezes um jeito. Então se é uma gestante, ou uma mulher, ela fica mais à vontade comoutra mulher. Não passamos nenhum trabalho em relação a ser mulher. Quando tu tem uma pessoa que sofre um acidente, ela quer ver um bombeiro. Não importa se é homem, mulher, comunitário ou militar. Ele quer uma pessoa treinada, que vai tirar aquela agonia dele de qualquer jeito”, afirma a soldado Andreza.

“Dentro da PM eu me sinto bem protegida, como se fossemos uma família e eles meus irmãos. Eles protegem bastante a gente e respeitam também. Tratam de forma igual, porque o mesmo trabalho que eles fazem, a gente também faz. Eles contam conosco como outro soldado, não importando o sexo masculino ou feminino”, relembra a soldado Joici.

“Eles acreditam que o sexo feminino seja mais frágil. Mas no geral acho que é tratamento igual”, destaca Patrícia sobre a experiência como agente de trânsito.

Silvana também afirma nunca ter sofrido nenhuma diferença. “Nunca tive qualquer problema de desrespeito a mim quanto profissional e quanto mulher. Nunca tive problema de relacionamento, muito pelo contrário”.

Homem ou mulher. Forte ou frágil. Sensível ou menos vulnerável às emoções. As diferenças estão aí. Basta nós, seres humanos, respeitarmos os limites de cada um e complementar as diferenças dos outros. E essas mulheres da segurança pública aqui ilustradas mostram que a diferença entre sexo forte e frágil está apenas na cabeça. Na cabeça de alguns poucos.

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