(VÍDEO) Ministério Público intima Prefeitura a comprovar segurança do reservatório

Vídeos

Ministério Público intima Prefeitura a comprovar segurança do reservatório

A situação o reservatório de água instalado pelo Samae de Brusque no Loteamento Bruschal, bairro Azambuja, continua envolto em polêmica. O Ministério Público de Santa Catarina enviou ofícios ao Samae, à Defesa Civil, solicitando informações sobre a segurança da estrutura para os moradores do entorno.

Vários laudos foram feitos por especialistas contratados pela autarquia e não convenceram os moradores sobre não haver riscos de desmoronamento da estrutura.

A equipe da Rádio Cidade esteve no local e percorreu os arredores onde o reservatório está erguido. Lá, a equipe observou que há uma distância de, aproximadamente, 100 metros até as residências que ficam na parte debaixo.

 O terreno é inclinado e o temor de quem vive nessa parte abaixo é de que ao ceder o volume de água inunde e cause outros prejuízos nas residências.

Mas o risco maior está em uma das primeiras casas, situada a menos de cinco metros do ponto onde está o reservatório. O muro da casa é foco de um embate entre a família e o Samae, por conta de rachaduras existentes na estrutura. 

No local, a reportagem constatou que há uma grande inclinação do muro, como se tivesse sob a pressão da terra (veja ao final a justificativa do engenheiro do Samae).

A Rádio Cidade teve acesso aos relatórios feitos por especialistas sobre as condições do local. Em um deles, feito no mês de dezembro de 2020, o geólogo Juarez José Aumond atesta que não encontrou nenhum “indicativo de problema, de acomodação ou trinca no solo”.  No entanto, ele fez alerta sobre situações relacionadas à mata existente na encosta, na parte debaixo. O alerta é formado por 15 itens, que vão desde trincas no solo, aparecimento de trincas nas residências, árvores e cercas inclinadas, entre outros. 

“Não se consegue prever com absoluta garantia o comportamento futuro da encosta”, descreveu Aumond.

O morador Gerson Knihs, que tem estado à frente das cobranças pela solução do problema junto ao órgão, reclama que o Samae não tem levado a sério os reclames sobre riscos do reservatório naquele local. Inclusive estaria decomsiderando orientação da Defesa Civil para que a capacidade de enchimento do reservatório, que é de 500 mil litros em sua totalidade, não ultrapasse 200 mil.

“Todos os três laudos que foram feitos atestaram a instabilidade da encosta. A Defesa Civil e a AGIR (Agência Intermunicipal de Regulação) orientam usar até 40% da capacidade. Ele está com 300 mil (litros). O Samae está por conta e risco aumentando a capacidade”, disse ele.

O engenheiro Jober Allan Moro, do Samae, constesta as colocações de Knihs. Ele nega que haja riscos e que os laudos feitos até o momento confirmam isso. 

“O laudo confirma que o reservatório fica num maciço, rochoso, numa parte segura. A área de risco onde fica o talude não pertence ao Samae e não temos com intervir na área de terceiros”, pontua ele.

Ele coloca que há 726 ligações que abastecem a região, desde o cerca de duas mil pessoas até o próprio hospital de Azambuja que fica ali próximo.

Moro afirma que não há responsabilidade do Samae e da obra nas fissuras do muro da residência localizada ao lado da estrutura. Ele afirma que o tipo de construção do muro não é o adequado e isso não está ligado ao reservatório. 

“Ele é um muro de bloco e não de contenção. O corte que foi feito é de 90 graus. Teria que ter sido feito um muro de contenção. Ele não tem  drenagem do muro, não tem uma calha ou alguma coisa para drenar o topo. Possivelmente a água começou a infiltrar o muro e rachou”, frisou ele à reportagem.

O engenheiro afirma que, por enquanto, não existe nenhuma intenção de que o reservatório seja tirado dali e instalado em outra área.

O assunto vai gerar, inclusive, uma audiência pública na Câmara de Vereadores. A data ainda não está definida.

Dê sua opinião, antes leia os Termos de Uso
Dúvidas ou Sugestões