Representatividade feminina cresce no mundo do empreendedorismo

Na quinta-feira (19) foi comemorado o Dia Global do Empreendedorismo Feminino. Neste ano, o cenário econômico para elas foi ainda mais desafiador. Pesquisa divulgada pelo Sebrae mostra que os negócios liderados por mulheres foram mais impactados com a crise do Coronavírus, sendo que 52% dos negócios tocados por elas foram afetados de forma temporária ou definitivamente pela pandemia, contra 47% das empresas gerenciadas por homens.

O levantamento mostrou ainda a dificuldade que as empreendedoras têm no acesso ao crédito. Entre as donas das empresas entrevistadas, 44% afirmaram que jamais buscaram empréstimo em bancos, contra 38% dos homens. Outro dado importante é quanto a perda de renda. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), no primeiro trimestre de 2020, o número de mulheres que perderam o trabalho foi 25% maior que o de homens, aumentando a probabilidade de busca pelo empreendedorismo.

Josiele Caetano Gonsalves (39) abriu seu primeiro negócio em agosto de 2019 e logo nos primeiros meses de atuação já teve que lidar com as restrições impostas pela pandemia. Para não perder o foco nos resultados e manter a Bfashion Moda Brechó aberta, apostou na contratação de um serviço de mentoria.

“Minha criação foi muito voltada para trabalhar em empresas. Empreender é trabalhoso, pois faz com que a gente saia diariamente da nossa zona de conforto e busque saídas e alternativas. A mentoria me ajudou muito a enxergar pontos externos, que, às vezes, achava que não eram necessários. Me ajudou a olhar outros horizontes dentro do segmento”, conta.

Planejamento, plano de ação e acompanhamento dos resultados são alguns passos para fazer o negócio crescer, mesmo em tempos de crise, explica a mentora e coach de carreira Siomara Marquetti. Ela realiza o serviço de mentoria na região para também auxiliar mulheres empreendedoras a planejar seu negócio, definir metas, analisar o mercado e construir ações de comunicação, marketing e vendas.

 “A mentoria tem como foco ajudar a empreendedora a alcançar objetivos, aprimorando o seu negócio. O propósito é auxiliar a encontrar um caminho mais promissor, tendo como alvo o progresso e o crescimento pessoal e profissional do mentorada”, detalha Siomara.

Para ela, que é uma das coordenadoras do Núcleo de Mulheres Empreendedoras da Ampe de Gaspar, o Dia Global do Empreendedorismo Feminino traz a possibilidade do mercado refletir sobre a importância das mulheres para a economia do país. “Cada dia mais a mulher conquista seu espaço. Ainda há um longo caminho a ser percorrido, para que haja uma situação de igualdade em uma sociedade historicamente machista como é a nossa”, avalia.

Representatividade feminina

Atualmente, há cerca de 24 milhões de mulheres empreendendo no Brasil, contra 28 milhões de homens, conforme dados do Global Entrepreneurship Monitor. A coordenadora do Núcleo de Mulheres Empreendedoras da Acibr de Brusque, Gisela Gracher Stieven, destaca que o crescimento e a representação da mulher no empreendedorismo não são de hoje.

“Conforme o mercado foi mudando e a mulher foi criando corpo e se encorajando para o papel de protagonista, o resultado foi o crescimento dessa participação. Eu vejo que é um caminho sem volta, a mulher está bem posicionada, sabe o que quer. Esse crescimento é uma consequência dessa busca já há muito tempo de não ser mais coadjuvante, mas sim partícipe na linha de frente”, destaca.

Gisela também acredita que a contratação de especialistas para mentoria é uma boa opção para as empreendedoras. “Eu vejo que a mentoria é algo bom sempre, não só para iniciar um negócio ou mantê-lo. Essa troca com alguém mais experiente, alguém que possa estar junto, é um aprendizado mútuo. Essa troca de aprendizado entre o mentor e o mentorado é extremamente importante no cenário atual”, completa.

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