(ÁUDIO) “Não sai da cabeça a cena de eu na maca, não conseguindo respirar"

Uma nova chance para viver, fazer as coisas diferentes e dar valor ao que realmente importa. Essa é a lição que toma conta dos dias de Lidiane Tais Clemer Faust, 38 anos de idade, depois de ver a morte passar diante de seus olhos. Infectada por Covid-19, ela foi a primeira paciente a ser internada na UTI do hospital de Azambuja, em Brusque. Ali, lutou pela vida ao longo de 12 dias. E venceu!

“Quando sai do hospital, minha sensação foi de aproveitar ao máximo as coisas da vida, de não deixar nada para depois. Não se importar tanto com o que os outros dizem. Esquecer. A gente não sabe mesmo o que será nada daqui a cinco minutos da nossa vida”, relata ela emocionada

Era o início do mês de abril. As aulas haviam sido suspensas. Brusque e todas as cidades de Santa Catarina tinham entrado em quarentena por sete dias algumas semanas antes. O Coronavírus avançava. Lidiane, o marido Marcos e a filha Jenifer não imaginavam o quanto suas vidas iriam sofrer um baque. Os dias que se seguiriam seriam de dor, aflição e muito medo.

Alguma coisa não saiu como esperado

A Covid-19 já havia chegado a Brusque. A preocupação em não se contaminar se tornava presente em cada passo, em cada ato das pessoas. Com Lidiane não era diferente. O deslocamento para o trabalho se dava apenas na presença do esposo, de carro. Todos os cuidados estavam sendo tomados. Mas alguma coisa, em algum momento, falhou.

“Não sei como me contaminei. Quando a escola parou, no dia 17 de março, nós também paramos de trabalhar. Ficamos 15 dias em casa e depois voltamos a trabalhar. De casa, ia para o serviço de carro. Chegava lá e trocava de roupa. Tínhamos muito cuidado lá. Lavávamos as mãos, tomávamos todo cuidado”, relembra.

Os primeiros sintomas começaram a surgir. Lidiane percebeu a presença deles ao longo de uma semana. Pensou ser apenas uma leve gripe e não foi ao médico. Sentiu dores pelo corpo, a boca seca e, às vezes, dor de cabeça.

“Depois de uns dois dias e meio, comecei a não sentir o gosto das coisas, sentir falta do olfato e do paladar”, conta.

Portadora de diabetes e pressão alta, Lidiane começou a sentir medo de verdade. Os sintomas pioraram e veio a confirmação da presença do vírus. Hospitalizada, recorda apenas de ver a movimentação da equipe médica contra o tempo para salvá-la.

“Não consigo tirar da cabeça aquela cena de eu na maca, não conseguindo respirar, e os enfermeiros saindo correndo, o médico dizendo que teria que intubar. Parece que você não vai conseguir sobreviver”, relata Lidiane.

Uma família e uma cidade em orações

O drama da família passou a ser o drama de uma cidade inteira. O caso de Lidiane fez com que muitas pessoas se dessem conta de que havia um perigo no ar. E ele estava próximo.

Mas ninguém sentiu agonia como os familiares sentiram. A filha Jenifer Michaeli Faust chorava sem parar. Havia uma imensidão de sentimentos de incerteza.

“Você não tem noção de como a família fica com uma pessoa no hospital. Pior é na UTI. É uma sensação muito ruim. Chorei muito. É muito triste. Quando ela saiu da UTI, aquele foi o dia mais importante da minha vida”, conta Jenifer.

Lidiane havia vencido a luta contra o vírus. Do leito de UTI, ficou mais alguns dias na área clínica, até ganhar alta e deixar o hospital. Mas as sequelas daqueles dias de dor e sofrimento não ficaram lá. Passados mais de três meses, ela ainda sente os reflexos da doença, no corpo e no psicológico.

“Pensa como está difícil a recuperação. Até cabelo está caindo. Durante quase um mês, nem consegui tomar banho e pegar uma xícara. Acordo escutando barulho de aparelhos, de berros. Muito trauma. (...) As pessoas não têm noção mesmo do que é. Tinha trauma e não conseguia dormir em nenhuma cama”, conta, afirmando que as dores no corpo de vez em quando reaparecem, assim como a falta de ar.

Desabafo: cuidem das pessoas em risco

Apesar da dificuldade, Lidiane está se recuperando. Mas a cada notícia de que alguém não teve a mesma chance que ela e perdeu a batalha contra a Covid-19 a faz relembrar tudo o que passou. Esta semana, depois de se manter em silêncio por todo esse tempo, ela desabafou.

“Hoje não aguentei. Primeiro por respeito a nós, que estamos nos cuidando e outros que sofrem por pessoas tão egoístas, que não pensam nos outros. Começou com uma tosse boba e quando fui ver eu não conseguia mais sentir nada de ar. Não tens noção de como é triste ficar sem ar. Te dá um desespero”, comenta, pedindo que as pessoas levem a sério a doença e se cuidem.  Mais que isso: cuidem dos seus familiares, amigos, pessoas que estão nos grupos de risco.

Nesse período, ela viu pessoas que nunca teve contato irem embora. E outras conhecidas também. Pessoas que não tiveram a oportunidade de uma segunda chance para valorizar o que de mais precioso tinham, a vida.

“Temos que viver cada minuto da nossa vida. É agora. Não tem outra hora. Agora, a gente tem certeza de que não é ninguém. Se hoje eu não consigo limpar minha casa, vai ficar. Se eu não consigo fazer alguma coisa, vai ficar”, finaliza.

Lidiane faz questão de agradecer todo apoio e atenção que recebeu das pessoas por toda a cidade, que fizeram inúmeras orações, bem como da equipe no hospital, de atendentes, médicos e enfermeiros, que lutaram do primeiro instante até o momento em que deixou a unidade, para salvar sua vida.

Colaborou Josiani da Cuz

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