Meninas menores de 11 anos são as maiores vítimas em Brusque

A cidade de Brusque possui, atualmente, em torno de 40 crianças e adolescentes recebendo tratamento por conta de abusos e violência sexual. Elas integram o grupo que tem atenção do Serviço de Atenção Integral às Pessoas em Situação de Violência Sexual (SAVS). A maioria dos casos é de meninas menores de 11 anos de idade.

O número assustador faz parte de levantamento feito pelo órgão, que está ligado ao setor de saúde pública do município. Conforme os dados, 30 são crianças com idade até 11 anos e sete adolescentes de 12 até 18 anos. Entre as crianças, somente quatro são meninos.

“Vivemos uma pandemia, que também é uma questão importante, mas não podemos esquecer que ainda estão ocorrendo esses abusos. Na última semana, por exemplo, recebemos três situações de crianças e adolescentes. É um número bem expressivo”, salienta a enfermeira Thays da Cunha, membro do SAVS e coordenadora da Clínica da Mulher da secretaria Municipal da Saúde.

 Segundo ela, em nível nacional, a cada hora três menores de idade são abusados e mais da metade dos casos envolve crianças de um a cinco anos. Outro fator importante a ser destacado é que a cada quatro casos, estima-se que um ocorre no ambiente familiar ou envolvendo pessoas próximas às famílias.

O levantamento feito pelo SAVS integra as ações promovidas pela passagem do dia 18 de maio, quando anota-se no calendário Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

“Esse mês é chamado de Maio Laranja, pois além do dia 18 todo o período é utilizado para conscientização para o combate ao abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes”, comenta Thais

As crianças e adolescentes costuma emitir sinais do que estão passando. Apresentam mudanças importantes no comportamento, como quadros depressivos, alterações na questão emocional e na interação familiar e diminuição do rendimento escolar.

Denunciar é o caminho. Algo que é possível de ser feito de forma anônima, por meio do Disque 100, em um órgão de segurança pública, no Conselho Tutelar ou diretamente no SAVS.

 

 

 

“As pessoas pensam que essa realidade está muito longe da gente, mas está cada vez mais próxima e não podemos fechar os olhos para isso.  Precisamos trabalhar e dar assistência de qualidade para essas vítimas”, acredita. 

Atendimento

O SAVS fica localizado no prédio da Secretaria de Saúde e Policlínica, no segundo andar. O horário de funcionamento é das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira, sem fechar para almoço. Após às 17 horas, nos feriados e finais de semana, o atendimento é realizado no Hospital Azambuja.

“Percebemos que em muitos casos a vítima expõe o seu caso para vários profissionais, sendo da saúde ou não. Elas chegam aqui muitas vezes cansadas de falar o que ocorreu e com vergonha. Então, a orientação é que o encaminhamento para o SAVS seja realizado o quanto antes. Assim, podemos iniciar o acompanhamento e as profilaxias - medicações para evitar doenças e gravidez indesejada, bem como todo o acolhimento e atendimento pela nossa equipe multiprofissional”, conclui Thais.

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