Vereadores pleiteiam leitos de UTI para o hospital de Azambuja

A Câmara de Vereadores de Brusque formalizou nesta semana uma mensagem de apelo ao governador de Santa Catarina. O documento pede a Carlos Moisés da Silva (PSL) que reconsidere a decisão que indeferiu o credenciamento de dez novos leitos de UTI no Hospital Azambuja para o tratamento de pacientes de coronavírus (Covid-19). A iniciativa partiu da bancada do partido Democratas (DEM) - formada por Celso Carlos Emydio da Silva, o Dr. Celso, Cleiton Luiz Bittelbrunn, Ivan Martins, Leonardo Schmitz e Rogério dos Santos -, que apresentaram ao plenário a Moção nº 12/2020, aprovada por unanimidade durante a sessão ordinária da terça-feira, 12 de maio.
 

Na proposição, os parlamentares enfatizam que “o Hospital Azambuja realiza atendimentos não só ao município de Brusque, mas a diversos municípios lindeiros, como Botuverá, Nova Trento, Canelinha, Guabiruba” e outros. O texto registra ainda que “vários hospitais da região foram contemplados [com o credenciamento de leitos de UTI para Covid-19] pelo Governo do Estado, inclusive de municípios e estrutura hospitalar de menor porte e importância”.
 

Durante a reunião, realizada por meio do ambiente virtual de deliberação do Poder Legislativo, Ivan Martins se manifestou sobre o assunto: “Isso nos deixou bastante tristes e insatisfeitos, porque Brusque está entre as dez maiores economias do estado, uma cidade com 140 mil habitantes e o Azambuja, mesmo que informalmente, faz o papel de hospital regional”, disse o vereador e atual presidente da Câmara. “Brusque merecia uma atenção especial do Governo do Estado. Com essa decisão, a nossa população vai sofrer muito”, emendou.
 
Sebastião Alexandre I. de Lima, o Dr. Lima (PL), também destacou a relevância do Azambuja para a região: “É uma situação lamentável. Há muitos anos, o Azambuja vem carregando Brusque toda em suas costas. Na hora em que é necessário, todo mundo reconhece a importância do trabalho realizado, mas na hora da valorização e até do retorno financeiro para que o hospital possa oferecer o que todo mundo quer, os recursos nunca aparecem”, afirmou. “Estamos perdendo vidas por causa do coronavírus, mas outras vidas, em outras patologias, vêm sendo perdidas e nunca se deu tanta atenção. Agora, essa evidência trazida pelo coronavírus está fazendo com que a gente enxergue uma situação que é crônica”, acrescentou.
 
“Quem convive no dia a dia a vida hospitalar, entende e sabe muito bem que dez leitos de UTI num município de quase 150 mil habitantes é uma defasagem, tanto que o sistema de saúde, não só em nível estadual ou nacional, não está preparado para praticamente nenhuma situação de epidemias”, avaliou Dr. Celso. O democrata também criticou Carlos Moisés sob a ótica político-eleitoral: “O governador teve uma das votações mais expressivas do estado dentro da cidade de Brusque e essa é a resposta que a sua gestão nos dá ao não acatar esse pleito”.
 
Líder do grupo de oposição no parlamento brusquense, Marcos Deichmann (Patri) endossou a importância da moção, mas fez ponderações à propositura: “Parabenizo os propositores, mas no meu entendimento poderia ter sido feita em nome de toda a Câmara de Vereadores, inclusive juntamente com o Executivo, a Secretaria Municipal de Saúde, as entidades, como Acibr e CDL, e todas as outras, para que a gente pudesse ter mais força”, ressaltou.
 
Claudemir Duarte, o Tuta (PT), falou em seguida e se referiu a supostas irregularidades recentemente noticiadas, envolvendo o governo catarinense: “Se fosse falta de dinheiro, mas estamos vendo lá [em Florianópolis] uma farra com o dinheiro público, deputada indo passear, participar de ato pagando hotéis luxuosos com dinheiro da Alesc [Assembleia Legislativa de Santa Catarina], secretário de saúde pagando aqueles respiradores, então, a gente fica bem preocupado”.
 
Para Jean Pirola (PP), foi “ingrata” a decisão estadual: “Nós vimos que o nosso município tem todas das condições técnicas e exigíveis nesse momento de pandemia, de termos mais leitos de UTI com os devidos respiradores. E nós ficamos numa ilha, onde Blumenau, Itajaí, Gaspar e Timbó contratualizaram várias unidades com o estado, e Brusque, nenhuma. Não podemos aceitar de forma pacífica essa situação sem nos manifestar. Nós temos, hoje, o hospital Imigrantes com dez vagas de UTI, que pode contratualizar com o estado, temos nove vagas no Azambuja, mas ele pode chegar até 20, conforme o próprio administrador da instituição nos passou, então, poderíamos ter até 30 vagas de UTI [para Covid-19], desde que tenha a boa vontade do Governo do Estado”, concluiu.

Saiba mais
 
No dia 7 de abril, o Hospital Azambuja encaminhou ofício à Secretaria Municipal de Saúde solicitando o credenciamento junto ao Governo do Estado de dez novos leitos de UTI. O pleito foi realizado a fim de garantir estrutura aos casos mais complicados de tratamento de Covid-19 que possam surgir no município e região.
 
Atualmente, a instituição possui dez leitos de UTI, sendo que um deles está reservado para tratamento de pacientes diagnosticados com o novo coronavírus. Os dez novos leitos de UTI seriam instalados em uma área de internação cirúrgica do Azambuja.
Em 5 de maio, o hospital recebeu a notícia do indeferimento de seu pedido.
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