Redução de salários: o que pensam os vereadores de Brusque

Tem crescido nas redes sociais os apelos de pessoas para que os políticos com mandato reduzam seus próprios salários e destinem os valores para reforçar as ações de combate ao Coronavírus. Os apelos foram mais fortes nas primeiras semanas da pandemia e houve cidades em que parlamentares e prefeitos adotaram a medida. A reportagem Cidade foi ouvir o que pensam os vereadores de Brusque sobre a cobrança feita pelas mídias sociais.

O presidente da Casa, Ivan Roberto Martins, afirma ser favorável à ideia de redução salarial, desde que ela tenha efeito em todas as esferas, indo das câmaras municipais às assembleias legislativas, Câmara federal e Senado, bem como os demais órgãos do Executivo, Judiciário e Ministério Público.

“Tem que ter uma ampla discussão entre os três poderes. Porque, na verdade, os grandes salários não estão nas câmaras municipais e sim nas assembleias legislativas, na Câmara e no Senado Federal. E, logicamente, altos salários no Poder Judiciário. Não são os R$ 7.500 mil dos vereadores (de Brusque) que vão fazer qualquer diferença nessa situação. Sou favorável, mas não que fique tudo em cima somente das câmaras municipais”, disse ele.

Além do presidente da Câmara, outros vereadores se manifestaram nessa mesma linha, de que a mudança precisa ocorrer em todos os poderes e esferas.

Leonardo Schmitz disse que, em Santa Catarina, a Câmara de Brusque é referência no quesito de gastos. “Nós, vereadores, não temos assessores, não temos verba de gabinete e nosso salário em relação a outras câmaras é um dos mais baixos”, pontuou.

Cleiton Bitellbrunn disse que é a favor da redução dos salários, desde que seja geral, incluindo os supersalários de alguns funcionários públicos. “Aí, sim, está de verdade o grande gasto de dinheiro público do nosso país. Sendo uma redução para todos, somos de acordo sim”, frisou.

Deivis da Silva também bate na tecla de que a redução deve vir de todos os poderes e esferas. “Apenas a redução de salário dos vereadores não viria a resolver a situação da saúde, em especial com relação ao Coronavírus. O tema merece uma discussão mais ampla”, disse.

Claudemir Duarte, o Tuta, disse que os vereadores de Brusque não usam vários benefícios que são legais, mas não morais. “Do jeito que está, o vereador consegue fazer algum trabalho. Tem suas limitações, mas dá. Várias vezes vou a cidades da região conversar sobre alguns projetos, mas nada disso usando a estrutura da Câmara”, pontua ele.

Ana Boos afirma que o tema merece discussão e debate. Ela disse que não houve conversa com os parlamentares nesse sentido, ainda, mas sinaliza ser favorável à medida. “Já fui questionada a respeito também. Estou aberta a tal discussão. Até porque estamos passando por um momento bem delicado, onde boa parte da população, inclusive já está desempregada”, frisa ela.

Gerson Morelli, o Keka, disse que o assunto chegou a ser conversado dentro do grupo de oposição, mas não houve nenhum avanço nesse sentido. Ele se diz favorável a mudanças, mas com ressalvas. “Particularmente, sou contra cortar totalmente o salário do vereador, porque continuamos trabalhando. E temos nossos gastos pessoais também”, destaca ele, citando que com parte do vencimento executa diversas ações sociais que precisaria encerrar se for feita a redução.

Rogério dos Santos se diz favorável à medida. Ele lembra que o assunto não foi discutido por conta de as sessões estarem ocorrendo de forma virtual e precisa ter uma análise do grupo todo. “Essa decisão é de colegiado, mas sou a favor, sim. Pelo menos nesse período mais crítico”.

Marcos Deichmann disse ser favorável e se vier uma medida como essa vai acatar. Entretanto, essa é uma medida que cabe à mesa diretora tomar a iniciativa. “O presidente, junto com os membros é que tem que fazer essa proposição. Como é uma questão administrativa da Câmara, só a mesma diretora pode fazer”, disse ele.

Jean Pirola também se diz favorável à redução, desde que seja feita de cima para baixo. Lembrou que a Câmara de Brusque é uma das mais enxutas do estado e não possui as regalias que outras esferas têm.

A reportagem entrou em contato com 14 dos 15 vereadores com mandato atualmente em Brusque. Somente não foi possível estabelecer esse contato com o vereador Celso Carlos Emídio da Silva (DEM) até o fechamento desta reportagem.

Dos 14, apenas dez responderam ao contato: Ivan Martins (DEM), Leonardo Schmitz (DEM), Cleiton Bitellbrunn (DEM), Marcos Deichmann (Patriotas), Ana Boos (Progressista), Jean Pirola (Progressista), Rogério dos Santos (PSD), Deivis da Silva (MDB), Gerson Morelli (PSB) e Claudemir Duarte (PT).

Outros quatro não responderam ao contato: Sebastião Lima (PSDB), Joaquim ‘Manico’ Costa (MDB), Paulinho Sestrem (Republicanos) e José Zancanaro (PSB).

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