Moradores discutem Plano Diretor que propõe mudança

Na noite de segunda-feira (11) moradores do Jardim Maluche participaram de uma reunião no salão da Capela da Igreja Nossa Senhora de Fátima, promovida pelas Comissões de Constituição, Legislação e Redação (CCLR) e de Serviços Públicos (CSP). O evento foi conduzido pelo vereador Marcos Deichmann (Patri), relator da CCLR. O foco da discussão foi o PL de origem executiva, que altera o Plano Diretor do bairro,  adicionando à Zona 3 a rua Jacó Bauer e um trecho da rua Victor Ademar Gevaerd. Com a mudança, as áreas passam a integrar a área que permite, além do uso residencial, atividades de comunicação, de comércio varejista e de prestação de serviços. Inicialmente, a presidente da Associação de Moradores do Jardim Maluche (Amasc), Ana Maria Soprano Leal, indagou se a localidade “quer que uma rua estritamente residencial se transforme em comercial”.

Deichmann pontuou que se trata de uma mudança proposta pelo poder Executivo e que a reunião foi organizada com o intuito de ouvir a comunidade e definir se o texto do PL segue como está ou passa por mudanças, evitando emendas posteriores. O vereador explicou que a matéria recebeu parecer favorável das comissões, porém, houve pedidos externos da comunidade acerca de alterações. Segundo ele, houve solicitações tanto para aumento da área que permite o uso comercial, quanto contrárias a qualquer liberação.  

Ao abrir espaço para os moradores, João Staack defendeu que liberação para mais ruas para uso comercial deve ser um passo discutido na reformulação do Plano Diretor do município e do bairro. “Como no próximo ano deve haver discussão do Plano Diretor, devemos fazer uma análise muito mais ampla e mais técnica”, pontuou. Regis Arruda se colou a favor da proposta e falou sobre a possibilidade de abrir um empreendimento do ramo alimentício na região, sugerindo que a rua Bartolomeu Pruner também fosse inserida no PL. “O Maluche já modelo para os demais bairros, mas por se tratar de um bairro populoso, é fundamental ter um suporte comercial para suprir as necessidades dos moradores”, argumentou. “Eu não peço nada demais, só quero trabalhar, empreender e gerar empregos. Quero fazer o meu comércio todo registrado”, continuou.

Também residente da região, Juarez Piva demonstrou preocupação com a possível mudança e reiterou que o bairro foi inicialmente concebido para ser residencial. “A gente não vai contra o comércio de ninguém”, ponderou. O morador disse que o PL pode abrir precedentes para outras mudanças: “Não temos estrutura em termos de saneamento básico. Daqui a pouco, a próxima reivindicação será o tamanho dos prédios que podem ser construídos aqui”.  

A possibilidade de desvalorização monetária de imóveis no local foi levantada por Juarez Graczki: “Daqui a 30 anos, como vai ficar o meu patrimônio? ”. Ele questionou de quem seria a responsabilidade caso os imóveis venham a perder valor com a abertura de estabelecimentos comerciais e solicitou um estudo ao poder público que responda à questão. 

Outro ponto bastante abordado nas discussões, não constante ao PL, foi levantado por Marlon Sassi. Moradores tomaram conhecimento de um projeto que visa transformar a rua Francisco Sassi, localizada no bairro, em um trecho da avenida Beira Rio, onde passaria o tráfego de carretas que seguem para os municípios de Botuverá e Guabiruba. “Daqui a pouco [os caminhões] vão passar pelas nossas casas. Eu não sei qual a intenção, só que a gente não pode ser pego de surpresa”. Sassi alertou para o fato de, concretizada a mudança, o novo tráfego de veículos pesados passarem em ruas próximas à escolas, à APAE e ao campus do IFPR, causando transtornos aos alunos e demais usuários. No encerramento da reunião, Marcos Deichmann informou que as manifestações serão levadas ao Poder Legislativo, para serem consideradas na apreciação do projeto em plenário.

 

 

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