Destinos entrelaçados: Conheça a história de Vandoir e Janete

"Estou muito feliz e ansiosa. Nosso sonho agora é comprar a nossa casa. Ter a nossa casa própria e seguir o resto da vida junto”, diz ela. “Para mim é uma alegria encontrar uma pessoa assim. Nos damos bem, nos encontramos depois de tantos anos, e espero que sempre continue assim”, finaliza ele.

Neste domingo (4), 159 casais de Brusque viverão a emoção de celebrar o matrimônio. Mas, por trás do número que simboliza os 159 anos da cidade, estão lindas histórias de cada uma das 318 pessoas que, a partir da próxima semana, formalizam mais uma etapa importante do ciclo da vida.

Histórias que ora se juntam, em outras se complementam. E, algumas, que literalmente, parecem uma só, como é o caso do vigilante Vandoir Vilson Hoppen, 47 anos, o Maravilha, apelido curioso, mas que é coisa pra contar daqui a pouco, junto com a trajetória da costureira Janete Priebe, 43.

Unidos pelo destino

Da pequena cidade de Maravilha, na região Oeste catarinense, para um dos centros das atenções no aniversário de 159 anos de Brusque, cidade localizada a 580 quilômetros de distância.

Na infância, talvez, Vandoir, perdão, hoje Maravilha, apelido ganho ao longo do tempo fruto da cidade de origem, jamais imaginasse que o destino lhe reservaria momentos especiais no berço da fiação catarinense.

Ao mesmo tempo em que era observado pela jovem Janete nas peladas de futebol, traçava um destino totalmente diferente do que será consolidado neste domingo… Mas antes vamos falar um pouco de Janete.

Janete era uma menina daquelas típicas de interior em décadas passadas. Tímida, controlada pelo pai, com horário regulado e que só conhecia um trajeto: da escola para casa (e nas escondidas, ao campo, para ver Maravilha). Foi na escola que eles tiveram o primeiro contato, ainda no primário. “Eu ia no campo porque tinha a intenção de ficar com ele, mas eu tinha medo, e meu pai era muito rígido na questão do horário”, conta ela.

Naquele momento, ela mal imaginava que só voltaria a vê-lo muitos e muitos anos depois, e bem longe da cidade de origem...

Vidas separadas

Um dia Maravilha resolveu deixar a cidade natal, hoje, jura que sequer sabia do interesse de Janete. “Eu era muito cobiçado”, brinca. “Ele, de fato chamava a atenção das meninas”, complementa, a hoje futura esposa. Ela, assim como ele, com o passar dos anos também rumou para outro local. Enquanto o futuro marido foi para São Paulo, retornou a Maravilha e depois foi para Itapiranga, cidade a cerca de 150 quilômetros, Janete recebeu a proposta de um parente, amigo de seu pai, para vir para Brusque. Há 20 anos, ela foi a primeira a chegar à cidade que hoje é, literalmente, a casa dos dois. “Eu trabalhava como pintora de móveis, mas a empresa faliu. Aí tive como opção trabalhar como costureira e já estou há 16 anos no mesmo trabalho”, conta.

Neste meio tempo, ambos casaram, tiveram filhos e seguiam as vidas distantes, sem qualquer contato e separados a 580 quilômetros. Mas eis que o destino voltaria a colocar ambos “face” a “face”, no sentido figurado da palavra, mas que você vai entender melhor agora abaixo...

Facebook sela recomeço

Depois que saiu de sua cidade natal, Maravilha passou a trabalhar em um frigorífico na cidade de Itapiranga. Depois de 23 anos de casado, acabou se separando da hoje ex-esposa. Eis que um dia trafegando na internet, deu de cara com um semblante bem familiar no Facebook. “Um dia ela (Janete) apareceu em meu perfil como “sugestão de amizade”. Ai eu cliquei, fui olhar as fotos e já adicionei. Assim que ela aceitou quis saber se ela estava solteira e começamos a conversar”, conta ele. “Eu o reconheci na hora. Ele não mudou nada”, recorda Janete.

Aquela altura, ela mal imaginava que a solicitação de amizade, mais do que resgatar um sentimento da infância, daria início a um novo recomeço em busca da felicidade. “Eu estava quase depressiva. Perdi a minha filha (acidente de trânsito) e o meu marido (vítima de infarto) em cerca de um ano. A casa que eu estava construindo com ele, minha ex-sogra me tomou e não fiquei com nada. Mas aí ele apareceu do nada. Logo na memória veio todo aquele passado bom e a gente se ajudou”, recorda.

O reencontro

Depois de décadas sem qualquer contato e de um mês de conversas na internet, Maravilha e Janete, enfim, se reencontraram. O primeiro abraço, depois de anos, ocorreu na rodoviária de Blumenau. “Não acreditava que ele viria”, diz ela. Mas ele mostrou que realmente estava decidido. Maravilha não só veio, como só voltou a Itapiranga para pedir as contas. Neste mês de agosto eles completam quatro anos morando juntos.

Agora, prestes a se casar, ambos não escondem a ansiedade pelo dia especial e, ao mesmo tempo, projetam os sonhos futuros. “Eu sempre tive o sonho de casar, e, não fosse essa oportunidade, não conseguiria nesse momento. Só querermos agora ser felizes e passar o resto dos anos juntos”, finaliza ela.

 
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