A importância e os reflexos dos cuidados com a saúde mental no início do ano 

  A chegada do final de ano é motivo de comemoração para muita gente. Isso porque com ela vem o período de férias, época de relaxar corpo, mente, aliviando cansaço, estresse de meses inteiros e começar um novo ano com energias revigoradas. Porém, há quem reinicie o processo com aquela sensação de cansaço e desgaste iguais a antes. Quais seriam as causas disso?    

O psicólogo brusquense Fillipe Martineghi, foi o entrevistado nesta segunda-feira (7), no programa Rádio Revista Cidade, explica que essa sensação de que as férias ou descanso não foram o suficiente para dar fim ao cansaço físico está relacionada, diretamente, com os cuidados que não se teve com a saúde mental ao longo do ano que terminou. Algo que requer tanta preocupação no dia a dia quanto a saúde física.  Estresse, depressão, a ansiedade e a Sindrome do Pânico são alguns exemplos de transtornos mentais que têm aparecido nos consultórios com mais frequência nos últimos anos e que requerem atenção e cuidados específicos.    

"O que caracteriza um transtorno mental e faz com o que o paciente busque ajuda é o prejuízo pessoal e social que os sintomas causam. Mas, em alguns casos, há alguns sinais de que é preciso atenção muito antes de um transtorno se desenvolver", pontua ele.   

O caminho para prevenir e evitar esses problemas depende de vários fatores. Nem sempre é o mesmo para cada pessoa. No entanto, há cuidados que podem ajudar no controle dos sintomas e melhora da saúde mental. Alguns destes cuidados incluem prática regular de atividade física, planejamento e organização das rotinas semanais, tanto no trabalho quanto em casa, e, principalmente, manter relacionamentos interpessoais de qualidade.   

Nos tempos atuais, a tecnologia tem trazido mais comodidade às vidas das pessoas, mas, ao mesmo tempo, vem prejudicando aspectos do convívio social, diminuindo o contato pessoal e modificando a forma como as pessoas se relacionam, algo que afeta diretamente a saúde mental.   

“Quando se está em período de estresse ou tristeza, é normal querer ficar sozinho e se isolar por um momento. Mas é preciso ter cuidado para que essa seja uma situação pontual, de curto prazo. Quanto mais sozinho e afastado de todo mundo, maior a tendência a ficar ruminando, remoendo pensamentos de forma improdutiva, gerando ansiedade e ficando deprimido. Quanto mais deprimido, menor a vontade de ter contato social. Quanto menos contato social, mais deprimidos ficamos. É um ciclo que tendemos a estar sujeitos se não ficarmos atentos e procurarmos ajuda", destaca ele.  

Ter relações interpessoais de qualidade também é essencial, afirma o psicólogo. “Uma pessoa que tem comportamento mais extrovertido, com habilidades de fazer amigos e de se aprofundar nas relações, geralmente é mais feliz e tem mais facilidade de se recuperar de algum estressor.”  

Além disso, saber colocar limites para que o outro não extrapole esse relacionamento, seja no trabalho, nos amigos, em casa, fazem parte desse processo de qualidade nas relações. "Muitas pessoas têm dificuldade em dizer não e acabam cedendo aos pedidos e vontades dos outros, violando, assim, seus próprios direitos. Isso, geralmente, é uma grande fonte de estresse e ansiedade. Por isso, ter habilidades para conseguir defender seus direitos, impor limites, é muito importante".  

Outro fator que afeta a saúde mental e tem sido fonte de estresse para grande parte das pessoas é a administração do tempo. Algo que, nos tempos atuais, com a correria dos dias maior, torna-se cada vez mais difícil.  

"Nos dias de hoje, é essencial planejar o tempo, organizar as tarefas e a rotina para que possamos dar conta das demandas do dia-a-dia” prossegue Martineghi.   

Campanha Janeiro Branco alerta sobre cuidados com a saúde mental   

As dicas e alertas trazidas pelo psicólogo fazem parte das ações voltadas ao período conhecido como Janeiro Branco. Trata-se de uma campanha que visa chamar a atenção das pessoas para cuidados e prevenção voltados à saúde mental. Campanha que teve início em 2014 e tem por missão, além disso, tirar a imagem negativa sobre os transtornos mentais.  A ideia é que se movimente para psicoeducar a população, que ela saiba quais os passos necessários para se cuidar da saúde da mente e não adoeça, não caia em depressão e tenha rotinas diárias sem tanto estresse, de forma mais leve e saudável.   

 "Trazer informação às pessoas sobre o que é saúde mental é fundamental para evitar transtornos mais graves no futuro", complementa Martineghi.   

O Janeiro Branco, embora ainda novo, segue caminho que começou a ser traçado pelo campo da psicologia no final da década de 1970. Até aquele período, a psicologia sempre tratou as questões da mente como doença a ser curada. A partir daí surgiu a chamada Psicologia Positiva, que ao invés de tratar a doença em si chama atenção para a prevenção.

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