Brusque tem mais de dois mil casos de agressões contra mulheres

Mais de dois mil casos de violência doméstica contra mulheres estão nas mãos do Judiciário e do Ministério Público de Brusque atualmente. Isso entre denúncias, inquéritos já insaturados e outros em fase de execução. Muitos deles são tanto das mesmas vítimas e agressores, quanto dos mesmos agressores com outras vítimas.

A informação foi repassadas à Rádio Cidade nesta quarta-feira (26) pela promotora de justiça Susana Perín Carnaúba, durante entrevista ao programa Rádio Revista Cidade. Há casos, segundo ela, em que a mulher é vítima de mais de um agressor.

“Situações em que o agressor se separa, faz nova família e volta a agredir. É um círculo vicioso. Precisamos mais do que só a situação de punir. Claro que as mulheres precisam ir na delegacia, fazer Boletim de Ocorrência. E isso elas estão fazendo. Mas o precisa ter um trabalho para empoderar essas mulheres, para que não fique esse círculo e elas acabem retornando ao agressor o tempo todo”, pontua ela.

Uma sugestão dada pela promotora é a de se fazer um trabalho com os próprios agressores. Porque, em sua visão, eles não agridem apenas as companheiras naquele momento: quando terminam relacionamentos e começam outros têm a tendência de agredir as novas parceiras.

De acordo com a promotora de justiça, normalmente os agressores começam com ameaças. É algo gradativo até chegar a situações mais drásticas, como morte. As exceções existem com em um caso divulgado na última semana, em que o agressor esfaqueou a companheira e ela mesma confirmou que foi a primeira vez que ele teve esse tipo de reação ou sinal de agressão, fosse física ou verbal.

“Isso e raro. O normal é começar com violência verbal, ameaças e, após isso, chegar ao ápice, que seria a morte”.

Os casos que chegam às mãos do Ministério Público local dão conta de que o agressor não tem padrão social definido. O que ocorre, segundo a   promotora, é que nos casos de violência em níveis sociais mais elevados as vítimas ficam envergonhadas de ir na delegacia. Álcool e drogas têm sido aliados com a violência doméstica integram a lista dos motivadores deste tipo de caso.

Uma das saídas para as vítimas de agressões tem sido as medidas protetivas  impostas pelo Judiciário em favor das mulheres. Segundo a promotora, são raras as vezes em que a vítima tem a medida protetiva e acaba sendo morta.

“O número de medidas dadas pela justiça é enorme. São raros os casos em que essa medida não é eficente. Na maioria das vezes, o  agressor acaba ficando receoso por conta dessa medida e desiste”.

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