Da Inglaterra para Brusque depois de 21 anos

Depois de 21 anos morando na Inglaterra, em Londres, Valter Rudolf (55) retornou a Brusque há três meses para por em prática um projeto de mudança de vida: dedicar mais tempo à família. Nesse projeto, ele e a esposa, Agne Wojtalewicz (35), decidiram ensinar dois idiomas estrangeiros tendo a culinária como método: além do inglês, o casal ensina polonês, já que Agnes é daquele país.

Valter conta que a ida para a Europa se deu pela necessidade de aprimorar o inglês, devido à atividade profissional no ramo de informática que desempenhava em uma empresa de Blumenau, a Hering.

“Quando cheguei La falava pouco o inglês. Fui para a escola e comecei a estudar. Em dois anos, o inglês ficou polido. Isso ajudou a gente a conseguir melhor trabalho naquela época. Hoje o inglês está enraizado”, afirma ele.

Os seis meses que deveria ficar para melhorar a língua estrangeira se transformaram em dois anos, depois quatro e, por fim, se passaram mais de duas décadas. Lá nasceram os três filhos: Sara, hoje com 19 anos, Vitória, com oito, e Willian, de dois.

Na capital inglesa, começou como a maioria dos brasileiros que segue para o exterior para buscar uma vida melhor: foi lavar pratos em um restaurante. Até aí tudo bem, pois pouco contato tinha com a clientela. A coisa ficou mais séria quando foi promovido a garçom. Mais tarde se tornou chefe de cozinha e gerente do estabelecimento.

Com o tempo, a vontade de retornar ao Brasil foi crescendo. Embora as diferenças culturais e econômicas sejam gritantes entre os dois países, nada como a terra natal.

“Lá paga-se bastante impostos, como aqui. Só que as coisas funcionam. (...)  Foi um conjunto de coisas que me trouxe de volta. Existe uma fase da vida que nos faz pensar mais na família e amigos. Lá fora é bom de morar, se tem uma vida estabilizada e tudo mais. Porém, era hora de fazer uma pequena mudança” desabafa ele.

Nos três meses de volta ao Brasil, o contraste fica evidente. Os europeus, destaca ele, são mais fechados, principalmente em relação a quem é estrangeiro. O contrário do povo brasileiro, mais caloroso socialmente.

Valter tem cidadania europeia, pois casou-se com Agnes naquele país. O convívio com os ingleses o permite até a tecer análise acerca de temas nos campos econômico e político. Como a decisão dos ingleses de deixar a União Europeia.

“A longo prazo, a saída da Inglaterra da União Europeia não será um bom negócio. Fazendo parte de um bloco europeu, eles teriam que abrir mão de um monte de coisas que outros países queriam pegar. Abrir as portas das fronteiras. Havia muitos europeus que iam para Inglaterra e tiravam muitos benefícios das pessoas de lá. À vista de conservadores, isso prejudicava e eles começaram a fazer muita pressão para que a Inglaterra saísse do bloco”, disse.

Embora as duas décadas o tenham trazido mais realizações do que decepções no país europeu, Valter afirma que pretende ficar de vez no Brasil. De momento, a saudade maior fica por conta da filha mais velha, Sara, que ficou na Inglaterra, estudando.

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