Manifestações em Brusque marcam repúdio à cultura do estupro

Ontem (28), um grupo de 40 pessoas realizou uma manifestação na praça Sesquicentenário denominado ‘Todas contra oito”.  Durante o ato, os participantes vestidos de preto e o rosto pintado, seguravam cartazes mostrando o sentimento de indignação: “Se eu digo não, é estupro”, “A culpa não é minha, é da sua mente suja!”,  “O corpo é meu”, diziam.

A manifestação começou por volta das 19h, e foi organizado pelo grupo de mulheres intitulado “Maria vai com as outras”. Segundo uma das organizadoras, Rafaela Kohler, o ato contou com um número representativo de pessoas, e não foi especificamente pelo fato ocorrido em Brusque, mas especialmente para lutar contra a cultura do estupro e pressionar a autoridade policial a investigar o crime.

A ideia é levar a mensagem para o maior número de pessoas possível, para que as mulheres tenham coragem de denunciar sem medo ou culpa. “Existem muitas mulheres que não denunciam por se sentirem culpadas” afirmou a organizadora.

O delegado Alex Bonfim Reis, que está respondendo pela Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) durante o período de férias do delegado titular Ricardo Marcelo Casarolli, ouviu esta semana a vítima. Segundo o delegado, em entrevista à Rádio Cidade, para não prejudicar as investigações, procurou não comentar o que foi mencionado no depoimento

Para o delegado, a violência contra mulher, é um comportamento social atribuído a “má educação, a má formação, é muito mais um problema social do que de leis” disse. Reis também fez uma observação sobre o comentário feito durante a manifestação, de cobrar “ação policial no caso”.

Segundo ele, a investigação só pode ter início no momento em que a vítima, maior de 18 anos, desejar que aconteça. “Nesse crime especifico nenhuma pessoa ou autoridade pode tomar qualquer providencia que seja, se a vítima não prestar apuração dos fatos”, concluiu Reis. 

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