Trote: irresponsabilidade que pode custar vidas

Apesar de o Corpo de Bombeiros Militar de Brusque não ter estatísticas exatas de quantos trotes são registrados diariamente, o assunto ainda incomoda os socorristas da cidade. Entre as ligações, estão aquelas em que ninguém fala, aquelas que fazem piadas e, por fim, as que comunicam falsamente uma ocorrência.

O comandante da 3ª Companhia de Brusque, tenente Hugo Manfrin Dalossi, comenta que os trotes não ocorrem somente com os bombeiros, mas em todos os órgãos de segurança pública. “Às vezes ocorre até o deslocamento de uma viatura, sendo que não havia nada no local”, lamenta.

Um dos casos que exemplifica essa situação aconteceu em 2015, quando uma pessoa teria passado a informação de que um carro havia se acidentado no município de Botuverá.  “Esse caso foi bastante emblemático, foi no dia 7 de setembro do ano passado, quando uma pessoa ligou para o corpo de Bombeiros informando uma ocorrência de um acidente, em que um carro havia caído em uma ribanceira em Botuverá. Diante da gravidade foram empenhadas três viaturas, sendo uma ambulância, um caminhão e mais uma viatura de acompanhamento”, relembra. Como não encontraram nada, os socorristas retornaram ao quartel.

RELEMBRE O CASO: Bombeiros e PM não encontram explicação para ocorrência em Botuverá

Com o empenho das viaturas, Brusque ficou praticamente desguarnecida. Uma viatura de Guabiruba foi enviada temporariamente até que as guarnições pudessem retornar ao município. Para quem aplica o trote, isso pode não representar nada, mas para uma possível vítima, conforme Manfrin, isso afeta de maneira drástica. “Acabam empenhando nossas viaturas em situações que não precisariam, e isso pode causar um atraso no tempo-resposta de outras ocorrências, que seriam realmente graves”, diz.

CONSCIÊNCIA

Apesar do próprio Centro de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom), que recebe todas as ligações feitas ao número de emergência 193, já realizar uma triagem de atendimentos prioritários, o tenente enfatiza que a comunidade também pode analisar a situação em que vive, se há mesmo a necessidade de chamar os socorristas. “A gente percebe que muitos casos são clínicos, ou seja, a pessoa já faz um tempo [que sofre com tal patologia], não procurou um posto de saúde, espera o momento da madrugada para a situação se agravar e ligar para o bombeiro”, avalia Manfrin. “Muito importante a população ter consciência e usar os nossos serviços em casos de extrema importância”, completa.

O trote é considerado crime e pode se enquadrar no artigo 266 do Código Penal Brasileiro, o qual define interromper ou perturbar serviço telegráfico, radiotelegráfico ou telefônico, impedir ou dificultar-lhe o restabelecimento. “A pessoa pode incorrer em pena de detenção de um a três anos e mais multa”, explica.

Confira o áudio com trote, acima da matéria.

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