Falta de indenização gera incertezas aos moradores

O que era para ajudar acabou trazendo muita dor de cabeça para os moradores da Rua Luiz Boos, no Bairro Santa Terezinha. O local já foi totalmente diferente do que está hoje. As calçadas, que eram feitas com paver, foram destruídas durante a execução das obras do PAC Macrodrenagem.

Cansados de esperar e sem obter retorno da Secretaria de Obras, os moradores estão consertando tudo com recursos próprios. Porém, esse é o menor dos problemas enfrentados por eles desde que as obras começaram.

Várias casas e muros estão com rachaduras que foram provocadas pelo trabalho das máquinas na obra. A gestão anterior havia se comprometido a indenizar todos os estragos, no entanto, os moradores estão sem resposta. Eles consideram a situação um descaso.

Conforme a operadora de máquinas Suelenir Hadtke, moradora há 30 anos no local, a proposta da prefeitura juntamente com a empresa executora do PAC, a Múltiplos Serviços e Obras, era de ressarcir os prejuízos causados pelas máquinas, sendo que cada um teria um certo valor a receber. “Mas não foi o que eles fizeram. Simplesmente passaram o asfalto. A calçada está no barro e as casas que ficaram destruídas, trincadas, que caíram o muro, não foram ressarcidas até hoje. Isso que fizeram orçamento e o pessoal assinou. Em janeiro iriam começar a pagar, mas até hoje não apareceu ninguém”.

Segundo ela, esses orçamentos foram feitos junto à Caixa Econômica Federal. Alguns ultrapassam os R$ 30 mil.

Além das calçadas, alguns moradores relataram que ficaram com seus comércios parados por cerca de um ano devido às obras. As cercas que existiam em alguns terrenos também não estão mais lá. O asfalto que substituiu os tijolos de concreto da via já está com buracos.

De acordo com o secretário de Obras de Brusque, Miguel Comandolli, o ex-prefeito Paulo Eccel teria se negado a assinar as indenizações dos imóveis. “Essa documentação foi entregue há 15 dias pelo chefe de governo, Alessandro Simas, ao ex-chefe de gabinete Cedenir Simon. Quando ele entrou em contato com o Paulo, que estava viajando, o Cedenir pediu mais 15 dias para conversar com o ex-prefeito para assinar essa indenização”.

Caso a autorização não se concretize, Comandolli deve rever a situação e, posteriormente, repassar para o prefeito interino Prudêncio Neto. Ao que tudo indica, pelo relato do secretário de Obras, o prazo para uma solução inicial deve ser de 15 dias.

Cedenir Simon afirma que esse problema agora é do atual prefeito. "Ex-prefeito é ex-prefeito. Quem tem que resolver isso é quem está no comando da cidade agora", declara. Segundo ele, quando Paulo Eccel estava na prefeitura, não só a Rua Luiz Boos como todas as outras localidades que receberam obras do PAC estavam passando por avaliações e levantamentos de valores. De acordo com Simon, inclusive muitas indenizações já estavam sendo pagas. Com a troca no comando da prefeitura, o processo foi interrompido. Ele afirma ainda que não pegou nenhum documento para ser encaminhado a Eccel. "Eu não sei exatamente o que eles querem. Se há problemas, agora é com eles", completa.

A Rádio Cidade tentou contato com o vereador e chefe de governo Alessandro Simas, no entanto, não obteve sucesso.

Os problemas na Rua Luiz Boos não são novos. Desde que as obras do PAC começaram na Bacia Sete de Setembro, aquela localidade enfrenta transtornos. Em 2013, desmoronamentos do solo assustaram os moradores que pediram providências imediatas à prefeitura. As obras precisaram ser temporariamente interrompidas e retomadas somente depois que uma técnica de contenção foi adotada.

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