Árvores, animais, poluição e atrito entre moradores

Tudo começou com uma reclamação oriunda de vários moradores da Estrada da Boemia, no Bairro Limeira Alta, em Brusque. Em um primeiro momento, a queixa era contra um outro morador que cria animais próximos à uma nascente de água, a qual os utilizam há anos na localidade.

A reportagem da Rádio Cidade se deslocou até o endereço onde pode constatar, por meio de um portão que dá acesso ao terreno, que os animais ficam livres para andar próximos à nascente e de árvores, derrubadas e descascadas. Segundo o morador Altamir Nicoletti, a água era usada até para beber anos atrás. No entanto, depois que o lugar ficou povoado por animais, como galinhas, patos, cabras, entre outros, ela não pode mais ser usada para esse fim. “Isso aí é uma água que está todo mundo usando, não para criar cabritos em cima. Ali é uma fonte d’água, todo mundo reclama pra gente, mas ninguém tem coragem de chegar e falar. Então tem que ter alguém para dar o começo”.

Além disso, os moradores também reclamam que o dono da criação aproveita das árvores, que ficam na parte mais alta do terreno, para derrubá-las e transformá-las em lenha. Para resolver o problema, segundo Nicoletti, a reivindicação dos moradores é a implantação de uma cerca, para evitar a passagem dos animais para a nascente.

O morador, apontado pelas reclamações, é Rainoldo Nascimento. Ele também falou com a reportagem. Rainoldo disse que as árvores que estão no local foram plantadas por ele, pelo menos boa parte delas. Mas também confirmou que os animais convivem com a nascente e que não vai cerca-los enquanto as caixas de água não forem trocadas. Essas mesmas caixas estão na localidade, descobertas, sujas e apresentando riscos para a saúde dos próprios beneficiados pela água.

 “A minha proposta foi assim: quando eles colocarem uma caixa decente ali, eu cerco os meus animais e eles não vão mais para a água”, retrucou. Essas caixas foram colocadas há anos, segundo Nascimento, que não soube informar a data exata. O objetivo era para que a água da nascente descesse para a casa dos moradores do Limeira Alta. De acordo com Rainoldo, ele mora ali há 13 anos e, desde então, disponibiliza da água para os moradores da Boemia.

Ao ser questionado sobre as árvores, ele afirma que nunca destruiu nenhuma e que elas estavam descascadas já, que poderia ser um indício de derrubada de árvores, mas que isso já ocorria quando ele ainda possuía cabritos no quintal. “O cabrito rói a casca da árvore. Até vendi os cabritos por causa das árvores”, alega.

Os moradores ainda relataram que entraram em contato com a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Fundema) para oficializar a reclamação no órgão responsável. Segundo o fiscal Maicon Eder Lang, foi feita uma vistoria para ver a procedência da reclamação, juntamente com uma equipe da Vigilância Sanitária do município. “A gente chegou lá e viu diversos animais, com ovelhas, aves, patos, marrecos, galinhas, ali por perto da nascente circulando livremente”, pontua, afirmando que a equipe também viu as caixas d’água, que não estão em bom estado. “E isso a gente também vai entrar em contato com os moradores para fazerem a troca das caixas”.

Além disso, também foi observado que no local estava sendo cometido um crime ambiental, que é a limpeza de sub bosque. “Embaixo das árvores tinha sido cortada a vegetação menor. Havia algumas árvores derrubadas e que tinham as cascas retiradas delas. Isso aí configura um crime ambiental”. Conforme o fiscal, Rainoldo deve se apresentar na Fundema nesta quarta-feira (22) para dar explicações.

Quando ocorre este tipo de ocorrência, a pessoa, primeiramente, é notificada e, logo após, é autuada pelo dano que cometeu. “A gente vai solicitar para que a pessoa não continue com a infração. Ela tem que se adequar às normas ambientais”, relata Lang.

A Fundema fez uma abordagem bem detalhada do local com seis integrantes, tanto da Vigilância quanto da Fundema, sendo caracterizado como um caso atípico . De acordo com Maicon Lang, não é comum ter casos desta maneira na cidade, já que houve muitos problemas diagnosticados. “Desde a criação de animais, corte de vegetação, árvores cortadas na residência dele, que a gente não tem nenhuma procedência e os animais presos sem registros”. Na ação da Fundema também foram apreendidos pássaros no local.  

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