Pedido de vistas adia Plano de Mobilidade

Apesar da pauta enxuta e do pouquíssimo tempo de duração, a polêmica teve espaço certo na última sessão de 2014 na Câmara de Vereadores de Brusque. Na ordem do dia, apenas um pedido do executivo para prorrogar a entrega de respostas solicitadas por vereadores – aceito sem problemas por todos os legisladores – e, depois, o tão falado Projeto de Lei que autoriza a Prefeitura a contrair empréstimo na ordem de R$ 48 milhões (R$ 96 milhões de financiamento total) junto do Banco Sulamericano de Desenvolvimento.

Que haveria discussão, todos estavam cientes. Mas, no final das contas, a base situacionista acreditava na aprovação do PL. Porém, para surpresa de todos os vereadores aliados, assegurado pelo regimento da casa, um pedido de vistas feito por Ivan Martins (PSD) travou a proposta até, pelo menos, 2015, quando a guerra entre os dois lados promete continuar com muitas batalhas.

O que foi considerado “uma vergonha” e, também, “uma palhaçada” pela líder do governo na Câmara, Marli Leandro (PT). De acordo com ela, estava tudo acertado e combinado para que o projeto fosse votado na sessão extraordinária convocada na tarde desta quarta-feira (17). Para Marli, não votaram e pediram vistas com o único intuito de atrasar o projeto, considerado prioritário pelos governistas.

“Poderiam ter fechado o ano com chaves de ouro, mas não, preferiram fazer essa vergonha na data de hoje. Fazer toda a sessão novamente, gastar tempo, energia, dos funcionários e membros da casa, pra quê? (...) é desculpa para atrasar, é desculpa pra que não se consiga esse financiamento (...) já foi comprovado que o governo tem como contrair esse empréstimo, é um empréstimo super barato, é o futuro da cidade que está em jogo”, exclamou a petista.

Para o vereador Ivan Marins (PSD), porém, não se tratou de uma atitude leviana. Em entrevista à Rádio Cidade, ele garantiu que agiu dentro do que o regimento lhe dá direito, já que persistem, segundo ele, algumas dúvidas referente ao endividamento municipal para as próximas gestões. Martins também questiona a prioridade de tais obras, já que serviços como a continuação da Beira Rio, no Bairro Santa Terezinha, tida como essencial, sequer começou.

“Esse projeto tem quatro anos de carência e vai jogar toda a responsabilidade de pagamento para a próxima gestão e as subsequentes. Mas o mais importante disso tudo é que o projeto deve ser intensamente discutido com a sociedade organizada na questão de prioridades de obras. Por essa razão apresentamos o pedido de vistas e vamos apresentar em janeiro a solicitação de uma Audiência Pública (...) a sociedade tem que dar o seu aval”, ressalta.

O pedido de vistas teve aprovação de 8 a 6, já que o presidente da mesa diretora, Guilherme Marchewsky (PMDB) é impedido pelo regimento de votar tais solicitações. Ao final da breve sessão, incrédulos, os situacionistas deixaram transparecer o descontentamento com o ocorrido. Houve, inclusive, alguns desentendimentos verbais entre legisladores.

 

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