Duas versões para uma mesma história

Na última sexta-feira (30), uma denúncia de cárcere privado levou o Conselho do Idoso e a Polícia Militar até a residência de Hilda Degasperi (80). A informação que a senhora teria passado a uma vizinha era de que o sobrinho e a esposa Salete Zimermann estariam mantendo ela sob cárcere. Com a chegada da conselheira, de uma assistente social e da polícia, todos foram conduzidos até a Delegacia. Salete foi ouvida pelo delegado Alonso Torres, assim como Hilda, que recebeu um lanche após dizer que não havia tomado o café da manhã. Por orientação do advogado de Salete, a mesma não deu entrevista no dia do fato. Porém, na manhã de ontem (2) ela contou a sua versão ao repórter Anderson Antunes e informou que dona Hilda sofre do mal de Alzheimer. Ela mostrou inclusive o quarto de Hilda e exames médicos relacionados à doença. Segundo Salete, a acusação não tem fundamento, pois Hilda recebe toda a atenção e cuidado que a doença reserva. "Eles não me deram direito de defesa. A dona Hilda estava dormindo e uma pessoa que está dormindo não pode tomar café da manhã", disse Salete com relação à acusação de que a idosa estaria sem café da manhã. A esposa do sobrinho acrescentou que a própria agente de saúde que atende Hilda pelo Programa Saúde da Família poderia testemunhar a seu favor, pois essa pessoa levaria remédios periodicamente para a idosa. Ainda segundo Salete, por orientação médica as atividades de Hilda foram reduzidas, como acesso ao fogão e passeios sem acompanhamento, por exemplo. Durante a entrevista, Salete fez questão de abrir a casa para que o repórter Anderson Antunes pudesse fotografar os ambientes usados por Hilda na casa da família, que há cinco anos cuida da senhora. Outra informação passada por Salete é que a aposentadoria de Hilda, retirada mensalmente, seria utilizada para a compra de alguns medicamentos receitados pelo médico que atende à idosa. O inquérito segue sob a responsabilidade do delegado Alonso Torres.
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