Pais buscam ‘plano B’

Na manhã desta quarta-feira (4), cerca de 20 pais estavam em frente ao Circulo Bom Samaritano, no Centro, procurando encontrar uma maneira de ajudar a escola infantil para que não precise ser assumida pela Prefeitura de Brusque. Algo que, devido a problemas financeiros da unidade, deve acontecer no próximo ano.

Uma das que estava presente no local é a doméstica Dionísia Batista Corrêa, mãe de uma criança de dois anos. Ela relata que é triste a situação. “Além de mudar muita coisa, vai mudar os professores e nós estamos acostumados como está. A intenção é que alguém abraçasse a causa e nos ajudasse”, disse ela, afirmando que foi passado para os pais que a Prefeitura vai manter o local, mas irá mudar os professores.

Em meio aos pais, foi possível notar o receio da mudança de educadores, pelo fato de as crianças estarem acostumadas com o corpo de funcionários. O vendedor Moisés dos Santos, pai de uma criança de dois anos, é um exemplo disto. “A gente vai tentar falar com alguns empresários para ver se consegue manter a creche sem passar para a Prefeitura, porque não vai ser ruim só para mim, mas para vários pais”.

A preocupação quanto aos educadores não é apenas dos pais, mas, também, dos próprios profissionais. A auxiliar de sala Carina Adriana Vogel conta que os professores estão muito triste, pois a escola se tornou uma família. “Os alunos, a gente se habitua a eles e a cada ano que termina. Por mais que mude a turminha, nós temos contato com eles em outras salas. A nossa preocupação não é somente de a gente sair daqui, mas é essa família que a gente forma”. Conforme ela, todos os professores se inscreveram para o processo seletivo, para ver um sonho se realizar. Sonho esse é o de continuar no mesmo local, com os mesmos alunos.

Já para a doméstica Marilene Hillesheim, a mudança mais prejudicial a ela, que supostamente possa ocorrer, é o horário. “O horário da Prefeitura é menos que aqui. O meu filho vai fazer quatro anos e ano que vem eu não sei nem se ele vai ficar no período integral. Como a gente trabalha? Eu sou mãe solteira, não tenho com quem deixar ele, deveria ser integral pelo menos até uns seis anos”, desabafa.

Para o eletricista automotivo Luiz Carlos Peres, pai de uma criança de três anos, a maior dificuldade seria o horário também. “Meu filho vai completar quatro anos. Para mim é uma complicação bem grande, pois, aí, vai poder ficar só meio período e eu moro na Limeira. Então, eles vão tentar colocar meu filho próximo de onde eu moro. Para mim já não daria, pois eu trabalho aqui no Centro. E se mudar para a Prefeitura, não é que eles não vão fazer um bom trabalho, mas é que para nós vai ficar ruim”. De acordo com Peres, já foi contatado um empresário da região para auxiliar. “Eu estou otimista que ele vai ajudar”.

A secretária municipal de Educação, Gleusa Fischer, diz que cada setor está fazendo a sua parte, tanto o Circulo Bom Samaritano, quanto a Prefeitura. “Não tem nada se opondo à Prefeitura. As coisas estão se tramitando na sua normalidade, qualquer negociação deve se cumprir etapas”, comentou por telefone. Segundo ela, o processo seletivo está encerrando e todos foram comunicados para fazerem as suas inscrições.

Sobre as preocupações dos pais, Gleusa explica que as matrículas das crianças estão garantidas. “Não existe a possibilidade da garantia que os mesmos profissionais permaneçam, porque é um órgão público e nós precisamos, para isso, de um processo seletivo. Pode acontecer que mesmos profissionais fiquem lá, mas há uma grande possibilidade de que outros profissionais possam ser encaminhados para lá”.

Com relação ao horário, a creche funciona das 7h30min até as 18h e deve continuar assim. “Ela deve permanecer, pois está dentro dos horários das nossas creches. Os pais podem ficar muitos tranquilos, pois ela irá funcionar dentro de todas as normas educacionais e que são colocadas para o poder público”, completa.

A princípio, segundo Gleusa, a secretaria de Educação está cumprindo todas as etapas para que a situação tenha um desfecho positivo. Acerca da suposta reforma que pode acontecer no ano de 2013, a secretária diz que tudo é feito em etapas. “Existe um planejamento e nós estamos verificando todas as possibilidades. Vou dar essa informação apenas depois de nós fazermos todos os levantamentos e do contrato assinado”.

A reportagem tentou o contato com a diretoria da escola, mas até o fechamento da matéria, não havia sido possível.

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