Eleitores denunciam Portalete

A situação de Paulo Portalete pode se agravar perante a Justiça Eleitoral. Durante boa parte da tarde desta quarta-feira (7), o delegado Juscelino Carlos Boos ouviu pessoas residentes em Guabiruba que seriam suspeitas de terem sido lesadas por Portalete na transferência de domicílio eleitoral. As investigações estão aceleradas. A Justiça Eleitoral deu o prazo de dez dias, a partir de hoje, para montagem e encaminhamento do inquérito policial.

Segundo todos os depoimentos prestados, Paulo Portalete oferecia a transferência dos títulos para uma das zonas eleitorais de Brusque sem despesa alguma para os eleitores. Para simular o domicílio dos eleitores, Portalete teria oferecido uma conta de luz com endereço de Brusque.

Assim, os eleitores (todos são da Bahia) poderiam ir ao Cartório Eleitoral para transferir seus títulos. Na saída, eles devolviam a conta de luz e ainda deixavam o título novo com o próprio Portalete, ou com uma outra pessoa.

O servente de pedreiro vindo de Itabuna (BA) José Roberto dos Santos (52) disse à reportagem da Rádio Cidade, e ao delegado Juscelino, que reside nas proximidades da Delegacia de polícia de Guabiruba. Segundo ele, Paulo o teria procurado no domingo (4), em casa, perguntando se José queria transferir o título. Como a resposta foi positiva, José foi levado ao Cartório pelo próprio Portalete.

José não tem idéia do endereço que contava na conta de luz que ele apresentou como comprovante de residência. Das cinco pessoas que moram na mesma casa, apenas mais um aceitou a oferta e foi junto. Trata-se de Cláudio Lima (27), natural de Guararema (BA). “Só caí nessa”, reclamou ele, que também não está de posse do novo título.

O caso de Roseli Soares (26), ajudante de cozinha que reside na rua 10 de Junho, em Guabiruba, contou na Delegacia e à reportagem da Rádio Cidade que ela e um sobrinho adolescente também teriam sido procurados por Portalete no domingo (4) com a proposta de transferência de domicílio eleitoral, no caso dela, e de fazer o primeiro título para o rapaz.

O combinado era que na terça-feira (6) Portalete iria buscar o jovem em casa e Roseli no trabalho, para levá-los ao Cartório. Porém, apenas o adolescente foi junto. Ele acabou sendo detido pela Polícia Militar juntamente com Portalete. “Ninguém sabia que iria acontecer uma coisa tão grave dessa. Que fosse um crime forte mesmo, pesado”, lamentou Roseli.

Ela acrescentou ainda que o marido já havia feito o mesmo procedimento com Portalete, mas que não recebeu o título eleitoral de volta. “Com certeza deve estar com ele (Portalete) ainda”, disse.

Outro que se envolveu na confusão foi o ajudante de pedreiro Gerval dos Santos Silva (20), natural de Itabuna (BA). Ele disse que foi convidado por Portalete na quinta-feira passada (1º) com o argumento de que ele teria que transferir o título para não ter que pagar uma multa. Em entrevista à Rádio Cidade, Gerval afirma que Portalete teria dito que “tava saindo candidato a vereador (...) e se a gente (ele e os amigos) podia dar uma forcinha a ele”.
“Acabamos caindo nessa”, reconhece Gerval, que afirma ter comprovado o domicílio eleitoral por meio de um “folheto”. Diz ele: “Tinha um folheto lá, que todo mundo tava fazendo por aquele folheto. Aí passou todo mundo por aquele folheto que tinha lá”. Gerval disse ainda que não recebeu o título de volta. “Ele (Portalete) pegou o título, disse que ia plastificar e aí levou. Depois que a gente ficou sabendo disso aí que aconteceu”, conclui.

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