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Transtornos invasivos do desenvolvimento

Transtornos invasivos do desenvolvimento

Você já ouviu falar na síndrome de Asperger? Talvez o nome não seja tão familiar quanto o autismo. Os dois são encaixados dentro dos transtornos invasivos do desenvolvimento, um distúrbio neurobiológico que interfere em três áreas do desenvolvimento da criança: linguagem verbal e não verbal, processo de interação recíproco e presença de comportamentos restritivos e estereotipados, como a dificuldade da criança em lidar com quebras de rotina. É o que você vai saber, em detalhes, nesta terceira reportagem da série Diagnósticos Infantis.

Os transtornos invasivos do desenvolvimento são divididos em cinco categorias: autismo, síndrome de asperger, síndrome de rett, transtorno desintegrativo e transtorno não específico. De acordo com a psicóloga Maiara Ignez Fischer, todos estes têm características que vão se encaixar ou na dificuldade de interação social, da comunicação ou dos comportamentos. “Não, necessariamente, a criança vai ter todos os sintomas. A sintomatologia e a gravidade vão variar de quadro para quadro”, explica ela.

As características são divididas pelos três critérios de diagnóstico. Segundo a psicóloga, na interação social, a criança tem dificuldade de manter contato visual, pode ser confundida com uma criança surda porque, muitas vezes, não atende quando chamada, tem dificuldade em iniciar uma brincadeira com outras crianças ou, até mesmo, alguém da família. Algumas têm dificuldade tanto em aceitar como em manifestar carinho.

Já na questão da linguagem, muitas vezes as crianças podem não desenvolver a fala e as que conseguem podem apresentar a fala ecolálica, que é a repetição do que o outro diz. O tom de voz é, muitas vezes, robótico, sem variações de entonação. E, por terceiro, no comportamento, pode acontecer de a criança balançar as mãos ou o corpo, ter dificuldade na quebra de rotina, apresentar interesse restrito por logomarcas e memória visual muito grande.

“As características devem ser observadas sempre levando em consideração a idade delas. A criança não pode se encaixar apenas dentro de um critério, ela tem que apresentar várias dessas dificuldades”, acrescenta Maiara.

Patrícia Habitzreuter é mãe de uma garotinha com pouco mais de cinco anos. Ela foi diagnosticada como autista quando tinha apenas dois anos e dez meses e, desde lá, já faz acompanhamento. Após um período de tratamento, em julho do ano passado o diagnóstico mudou para síndrome de asperger. Maiara apresenta como maior prejuízo a relação social, como a dificuldade de manter contato visual, iniciar e manter uma conversa, realizar trocas com os outros.

“Ela teve também algumas questões referentes à linguagem. Caminhava na ponta dos pés, que é uma característica bem comum. Mas por outro lado não teve outras características, como os movimentos repetitivos e interesse por objetos giratórios”, ressalta a psicóloga.

Patrícia afirma que como toda mãe não queria ter ouvido esse diagnóstico, mas a preocupação em ajudar Ana foi maior. “Não tive reação de não aceitação ou negação. Eu vi que estava entrando em um mundo desconhecido e precisava ajudar minha filha. Muita gente me mandou buscar outra opinião, mas eu não perdi tempo em fazer isso. Ela já fazia acompanhamento na Uni Duni Tê e me orientaram o que seria trabalhado com a Ana. Como o contato visual que ela não tinha, a questão do comportamento. E aí a gente trabalhou, eu fui atrás de uma fonoaudióloga, que começou todo o trabalho. Ela ganhou alta da Uni Duni Tê e eu comecei o trabalho particular, em nenhum momento foi parado o tratamento”.

Dentre as características de um asperger, Ana apresentava ausência da linguagem, não atendia quando alguém chamava, não cumprimentava as pessoas e não demonstrava interesse em brincadeiras com a família. “Ela se expressava só em berros. Então, eram crises de berro o dia inteiro praticamente. E como a gente não conseguia compreender o que ela queria, ela se jogava no chão, chutava e berrava. Não deixava brincar com ela. Era mais interessante desmontar a casa toda do que ter interesse por um brinquedo”.

Assim como aconteceu com Ana, é bom que o diagnóstico seja feito antes dos três anos de idade. O quanto antes puder avaliar, melhor será o resultado do tratamento, que varia de criança para criança. Não há exame laboratorial, apenas avaliação clínica do comportamento.

De acordo com psicóloga que acompanha Ana, ela já apresentou muitas melhoras. “Hoje, na linguagem, ela consegue iniciar e manter uma conversa com uma pessoa. Qualificou muito o contato visual. Na brincadeira simbólica, ela consegue brincar de faz-de-conta. Ainda permanecem algumas coisas, como questões de comportamento. No contato com pessoas que não fazem parte do contato frequente dela. Às vezes tem dificuldade de contato visual, mas são situações isoladas. Hoje, ela não se diferencia de forma visível das crianças nas quais ela têm o convívio”, esclarece Maiara.

Patrícia é a pessoa que pode ver claramente as mudanças no comportamento da filha. “Arrependo-me de não ter filmado a Ana de dois anos e dez meses e a Ana de agora. É muita diferença. Ela me ensinou muita coisa, me ensinou a ser mãe, a ser paciente e de viver um dia após o outro”, fala entre lágrimas.

A psicóloga explica que é importante não alimentar a falsa esperança de cura. “Hoje não se fala ainda de cura para o autismo, assim como não se fala em causa única. São muitos fatores biológicos e genéticos que causam as alterações nessas crianças. O acompanhamento é importante e o tempo de tratamento depende de cada indivíduo. Independente do diagnóstico, é importante sempre observar e focar o desenvolvimento da criança”, finaliza Maiara.

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Reportagem I - Será que meu filho possui TDAH?

Reportagem II - Quando inicia o desenvolvimento da linguagem?

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Diagnósticos infantis by Rádio Cidade AM
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