Vítimas precisam de acompanhamento, diz psicólogo

Passaram-se cinco anos da implantação  no Código Penal, da Lei Maria da Penha, criada com o objetivo de coibir a violência contra a mulher. Em Brusque, apesar do pouco efetivo, a Delegacia de Proteção à Mulher, Criança, Adolescente e ao Idoso (Dpcami) atua no apoio total às vítimas, que além do procedimento policial, também passam por acompanhamento psicológico.

Antonio Carlos Cruz Corvo, psicólogo que atende na Dpcami, explica que a grande dificuldade ocorre quando a vitima não prossegue com o processo. "A vítima chega aqui, faz o boletim de ocorrência, é ouvida pelas escrivãs e, quando o procedimento chega ao fórum, (ela) quer retirar a queixa. E não quer tocar pra frente. Isso impede que possamos fazer um trabalho mais protetivo com a mulher", comentou Corvo.

"O delegado Alonso Torres, responsável pela Dpcami, sempre se preocupa com a proteção da mulher", disse Cruz Corvo. "Só que a agredida não se preocupa com isso, e isso nos traz uma contradição muito grande", afirmou o psicólogo, frisando que a mulher agredida, quando assistida por ele, tem resistência em falar do que acontece.

Em um primeiro momento, continuou ele, a vitima tenta minimizar as coisas. "Mas, com o tempo nós vamos mostrando como é importante a afirmação da vitima. O grande problema é que geralmente a vitima precisa de um acompanhamento psicológico e nós necessitamos que esse tratamento seja de uma maneira rápida. Nós, psicólogos da delegacia, no máximos fazemos laudos. Não podemos tratar. E isso tem que partir para função pública. Muitas vezes o caso demora a ser tratado", resumiu.

Ainda segundo Corvo, falta estrutura para abrigar as mulheres e ele, inclusive, já tratou do assunto com o delegado Alonso Torres. "Estamos estudando a possibilidade de um projeto dos funcionários aqui dessa delegacia especializada, com as vitimas, para que elas possam se fortalecer. E, fortalecendo, elas começam a criar um grupo para ter mais força. As vitimas vão se sentir mais protegidas das agressões", explicou o psicólogo Antonio Carlos Cruz Corvo.

Colaboração: Valdomiro da Motta

 

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