Há quatro meses mulher espera por cirurgia

Quatro meses! Esse é o tempo em que Normélia Mattos (37) espera por uma cirurgia para implantação de uma placa na perna esquerda. Ela sofreu um acidente de moto em setembro do ano passado e teve uma grave fratura exposta, chegando a perder um pedaço de osso próximo ao tornozelo.

O problema é que a placa disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) não tem qualidade suficiente para resolver o problema e seria necessária a compra de uma placa importada.

Além da falta de condição financeira, é ilegal que Normélia execute a compra da placa para ser operada pelo SUS. O Serviço oferece total cobertura do tratamento, desde que com a utilização de material nacional. Sendo assim, o médico ortopedista responsável pelo tratamento de Normélia, Gilberto Iwamoto, sugeriu à paciente que fizesse o pedido da placa importada junto à prefeitura.

Como o caso não apresentava solução, Normélia entrou na Justiça Federal com um pedido de compra da placa. De acordo com a irmã da paciente, Lizane Maria Mattos, no dia 10 de janeiro Normélia recebeu uma ligação do médico regulador da prefeitura, Rodrigo Freitas, informando disponibilidade para compra da placa e que era só aguardar 5 dias.

De acordo com Lizane, no dia seguinte, na audiência Federal, "o perito avaliou que Normélia não precisaria de uma prótese que não fosse a oferecida pelo SUS e a juíza finalizou o processo negando a compra da placa". A família novamente procurou a prefeitura, mas eles souberam que a compra da placa havia sido cancelada.

De acordo com Rodrigo Freitas, em nenhum momento havia sido confirmada a compra da placa. Ainda segundo ele, a decisão de não se comprar a placa foi da Justiça Federal. "Se o médico perito da Justiça tivesse liberado a compra da placa, a prefeitura executaria a compra", confirma Rodrigo.

Questionado porque a compra não foi realizada no momento em que o médico de Normélia, Gilberto Iwamoto, fez o pedido no ano passado, ele afirma que o caso dela não era de urgência. "O paciente passa por uma perícia médica com o especialista, para então avaliar. Quando é uma urgência, isso acontece em dois, três dias, o que não foi o caso de Normélia e esse processo demora um pouco mais", destaca o médico regulador da prefeitura.

Gilberto Iwamoto não concorda com a decisão da Justiça de indeferir o pedido da compra da placa, mas vai acatar a decisão. "Será feita uma nova avaliação da paciente, e caso ela ainda necessite realizar a cirurgia, provavelmente eu encaminharei ela para um serviço de alta complexidade", fala Iwamoto.

De acordo com Rodrigo, Gilberto não é obrigada a realizar a cirurgia. "O que o SUS tem que fazer é oferecer o tratamento ao paciente. Se o doutor Gilberto optar que ele consiga resolver o problema dela com a placa nacional, ele vai realizar. Se ele imagina que não tem condições de resolver o problema dela com a placa coberta pelo SUS, nós vamos providenciar que ela seja atendida por outro colega que resolva o problema dela nessa condição", finaliza Rodrigo.

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