A realidade de um ex-presidiário

Errar é algo humano e, dependendo da gravidade, uma pessoa pode pagar com um tempo longe da sociedade. Após esse período recluso, o período serve para refletir e ter consciência que todos devem seguir o rigor da lei. Duarte (57), morador de rua e ex-presidiário, compartilhou um pouco a sua história e mostra que o sistema que busca melhorar as condições da sociedade nem sempre consegue fazer tudo de forma ideal e propiciar chance a essas pessoas.

O morador de rua, natural de Brusque, diz que o preconceito que ele passa é muito grande. Ao ser perguntados sobre o que o levou a estar em tal situação, ele diz que cometeu um erro e já pagou à sociedade. Além da dificuldade social, Duarte passa por problema de saúde. Sendo cardiopata, os riscos são ainda maiores nas condições em que leva a vida.

O grande sonho do ex-presidiário, antes mesmo de estar recluso, é um dia ter um local para morar e ter segurança até o final da vida, mas é algo difícil pela realidade socioeconômica. Atualmente, ele ganha R$ 418 e não tem como pagar aluguel devido o custo de vida local ser muito elevado. A sua vontade era poder ter uma nova oportunidade e desabafa que não gostaria de morrer na rua nas condições atuais, sem roupa alguma. Ele diz que, para muitos, doença é um momento triste e, para ele, é algo positivo. Porque tem um local para dormir e não passa frio. “Estou passando fome, e não gosto de me humilhar pedindo comida em restaurante. Eu parei em hospital para matar a minha fome. Aí eu sou conhecido na cidade porque eu errei, e ninguém da um prato de comida. O crime aconteceu em um momento de desespero”.

Seu desejo é de que as autoridades possam ajudar pessoas que moram nas ruas. Outro sonho dele é ter um local onde possa tomar banho. Ele conta que devido a sua situação, ele ficou três meses sem tomar banho que o único local que teve oportunidade de tomar banho foi na unidade prisional avançada. “Lá eu tomei banho, comi, mas não tinha medicação”.

O psicológico de uma pessoa que vive na rua é muito abalado, diz Duarte. Para amenizar o sofrimento, o álcool é um refugio. “Hoje eu tomo cachaça para amenizar o meu sofrimento. A vida é para todo ser humano e eu tenho esse direito de sobreviver e tenho o direito de ter a chance. Quando eu perdi meus pais eu errei e paguei à sociedade. Hoje, se eu vivo na rua não é por opção, é por dificuldade”. Uma das observações feitas por Duarte é que o sistema não favorece a ressocialização e espera que os problemas sociais possam ser solucionados de forma mais eficaz.

Um projeto que está será realizado em Brusque que beneficiar moradores de rua é a Casa de Passagem. O projeto está passando por uma tipificação da assistência social, que exige uma organização diferente e tudo está sendo feito através da política de assistência social.

No abrigo será feito um estacionamento para carrocinhas de lixo e disponibilizará local para colocar os cachorros. As pessoas, dependendo da situação, terão 48 horas no local, tempo necessário para a avaliação dos técnicos, importante para poder fazer toda a orientação necessária e assim levar a pessoas a reinserção na sociedade.

Colaboração: Alain Rezini

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